Lixo de seis municípios vai para Três Rios
“Aprovado pela Câmara de Vereadores no ano passado, o Consórcio Público de Gestão Associada e Integrada de Manejo de Resíduos Sólidos da Região Serrana III, que cria o Aterro de Lixo em Três Rios, só deve ser inaugurado em agosto de 2011. A previsão inicial era para estar funcionando ainda neste mês, porém, segundo o Secretário de Meio Ambiente de Três Rios, Thiago Vila Verde, o processo de escolha do terreno foi demorado. “Tínhamos que respeitar questões ambientais. Realizar um estudo locacional, isso leva tempo”, comentou. O consórcio é composto por seis municípios: Três Rios, Petrópolis, Areal, Levy Gasparian, Paraíba do Sul e Sapucaia. Atualmente, todo o lixo produzido na cidade é despejado no aterro de Pedro do Rio, que deverá ser desativado após a instalação do novo aterro sanitário. Segundo Thiago, o local escolhido tem previsão de vida útil de 30 anos, suportando sete vezes a capacidade do “lixão” de Pedro do Rio. O terreno fica na entrada da cidade, no Km-169 da BR-393, conhecida como Rodovia do Aço. Thiago conta que para obter a aprovação dos moradores será feito uma trabalho de conscientização. “Todo mundo quer resolver o problema do lixo, mas ninguém quer um aterro perto de casa. Vamos realizar palestras e conscientizar a população”, disse. O projeto, assinado pela empresa Norsan, será entregue em julho. A partir daí, inicia-se o processo de entrada no licenciamento ambiental. Thiago explica que o consórcio, presidido neste primeiro mandato pelo prefeito de Três Rios, passa a ser pessoa jurídica, com CNPJ e o registro do estatuto. “Esperamos que dentro de um mês esta etapa burocrática esteja pronta, só depois poderemos dar entrada no licenciamento, processo que também é bem demorado”, contou. A previsão é de que as obras tenham início em janeiro de 2010. O aterro sanitário de Três Rios vai seguir as normas ambientais, com tratamento biológico do líquido preto e poluente conhecido como chorume e captação do gás metano, que é formado pela decomposição dos resíduos. A sua base será construída por um sistema de drenagem do chorume acima de uma camada impermeável de polietileno de alta densidade sobre uma camada de solo compactado para impedir o vazamento de material líquido para o solo, evitando a contaminação de lençóis freáticos. Thiago explica que todo o gás metano captado será transformado em gás carbônico e reaproveitado. Na tarde da última segunda-feira, o secretário de Meio Ambiente de Petrópolis, Luis Eduardo Peixoto, participou de uma reunião com representantes da Secretaria de Estado de Meio Ambiente para definir o cronograma de atividades referentes à construção do aterro sanitário. Também participaram do encontro os secretários municipais de meio ambiente de Três Rios, Paraíba do Sul, Levy Gasparian, Areal e Sapucaia, cidades que também englobam o consórcio. De acordo com o secretário de Meio Ambiente de Três Rios, os encontros devem acontecer uma vez por mês. “Nas nossas reuniões, não tratamos apenas da instalação do aterro sanitário. Trocamos experiências sobre programas relacionados ao meio ambiente. É uma interação entre os secretários envolvidos no consórcio”, comentou.” (matéria de Janaina do Carmo, publicada no jornal Tribuna de Petrópolis, em 13 de junho)
Você acredita que a reportagem acima é mesmo uma boa notícia? É claro que precisamos de novos aterros sanitários, pois os que estão aí não estão suportando mais tanto lixo. Mas, porque será que ainda temos que pensar em fazer aterros que suportem mais do que o outro? Por que ainda não conseguimos reduzir o consumo? E a coleta seletiva? Por que ainda é mais falada do que praticada? As teorias e alternativas para a redução e reutilização dos resíduos tem sido amplamente divulgadas, mas o que se percebe é que ainda continuamos querendo que o “outro” resolva nosso problema, o nosso lixinho de cada dia pode ser levado pelo “outro” e dificilmente alguém se pergunta qual o destino deste lixo. Será que o aterro para o qual o lixo é levado, é mesmo um aterro sanitário? Será que o meu lixinho não foi poluir outra cidade? Será que aquele coletor de materiais recicláveis está mesmo reciclando? Ou só aproveita o que tem maior valor e depois descarta em qualquer lugar o que não conseguiu vender? Realmente não é fácil saber o que é feito com o lixo,mas acredito que temos ter consciência da nossa responsabilidade neste processo da produção ao descarte dos resíduos que produzimos.
Publicado em 14/06/2010, em Meio Ambiente. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.
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